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domingo, 12 de abril de 2015

A criatividade do povo brasileiro é nosso maior patrimônio.


A criatividade do povo brasileiro é nosso maior patrimônio. Uma das mais importantes demonstrações da força dessa capacidade criativa ainda é desconhecida e ignorada pelo grande público e pela mídia: são dezenas de milhares de grupos culturais espalhados por todo o Brasil, vivenciando a arte e a cultura como instrumentos de qualificação das relações humanas e produzindo vivências de cidadania. São grupos que se organizaram em torno da capoeira, do teatro, da dança, da música, do cinema e do audiovisual, do Hip Hop e de manifestações tradicionais, entre outras, que com essas ações culturais fortalecem um sentimento de pertencimento e senso crítico em relação às mazelas sociais vigentes. A partir dessas atividades, o encantado mundo da cultura e das artes vem fortalecendo a noção de direitos para quem nunca os teve.
Se quisermos definir um território conceitual para essas experiências socioculturais tão diversas entre si, podemos ancorá-las no vasto território da arte-educação. Desde os anos 60, a arte-educação foi incluída como atividade curricular nas escolas brasileiras, mas sabemos como pouco avançamos no uso da cultura e da arte como instrumento pedagógico em nossas instituições de ensino.
Nas últimas décadas, a presença da arte e da cultura foi minguando nas salas de aulas brasileiras, assim empobrecendo o ambiente das nossas escolas. Enquanto isso, nas periferias e bairros pobres das cidades, na área rural, nas aldeias indígenas e nas mais diversas comunidades, a cultura e as artes tornaram-se valiosos instrumentos de inclusão e de qualidade de vida para essas populações. Estamos falando de alegria, sensibilidade e dignidade em meio a pobreza e a violência, luz no fundo do túnel dantesco do cotidiano das massas populares.
Para compensar a ausência do Estado e de suas políticas públicas, comunidades e movimentos sociais têm adotado a cultura como estratégia para a construção de empoderamento e protagonismo, como importante meio de recuperação da autoestima de grupos humanos com acesso restrito a direitos e oportunidades, e como instrumento e coesão social. A sociedade civil vem desenvolvendo essa tecnologia social em meio às dificuldades mais radicais e apesar da indiferença do Estado brasileiro.
Ainda que ocorram nos quatro cantos do Brasil, essas experiências geraram poucos contatos entre si. Mesmo guardando grande diversidade na base conceitual, metodológica e no objeto de trabalho, já são reconhecidas por instituições internacionais como uma tecnologia social poderosa e eficiente. Vários desses projetos já foram convocados para treinar governos de países africanos, e mesmo algumas prefeituras europeias, no trato com populações de rua ou em alguma outra situação de risco.
Essa trajetória vitoriosa foi construída a duras penas pelas comunidades e suas associações, por organizações não governamentais, igrejas - principalmente as pastorais católicas - , sindicatos, militares, intelectuais e artistas orgânicos dos movimentos sociais, mães de santo, mestres de capoeira - ou de alguma outra arte - e empresários mais conscientes. Até o governo Lula, o Estado contribuía muito pouco, como que houvesse renunciado a cumprir sua missão constitucional de formulador e executor de uma política capaz de promover o desenvolvimento cultural da sociedade brasileira.
Apesar de termos atingindo, nos últimos anos, altos índices de universalização de acesso à escola, sabemos que não será possível fundar uma pátria educadora se não incorporarmos a arte e a cultura no processo pedagógico. A missão do Estado na educação não pode se resumir a preparar as novas gerações para o mundo do trabalho. Nos últimos doze anos, apesar de todas as dificuldades, o Estado retomou seu lugar e seu papel na vida cultural brasileira.
Buscamos satisfazer demandas e necessidades da sociedade através de políticas públicas. Tratamos de recolocar a cultura como direito de todos os brasileiros e como política pública estratégica de governo para que o Brasil possa enfrentar os desafios desse início de século XXI. Também como uma economia poderosa, geradora de ocupação e renda.
É nesse contexto que surge o Cultura Viva. Para estimular os processos e as manifestações culturais em todo Brasil. Com esta lei, tornamos de Estado uma política que até então havia sido de governo, reiteramos o reconhecimento de riqueza da cultura, do saber e do fazer produzidos pela sociedade. Cultura como dimensão estruturante de toda a existência humana, acessível a todos.
Indicador de qualidade de vida. A Lei Cultura Viva grava a importância para o desenvolvimento cultural do povo brasileiro de uma gama enorme de experiências, manifestações, projetos e ações que acontecem pelo Brasil afora e que adquiriram significados que vão além do fazer cultural: práticas efetivas, ações, ao mesmo tempo culturais, políticas, sociais e estéticas superam o discurso sobre direitos e deveres. Cultura e dignidade humana como direito de todos os brasileiros, sem limites, nem fronteiras é isso o que representa o Cultura Viva. Viva a cultura e a arte do povo brasileiro.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ministério da Cultura completa 30 anos.

O fim da ditadura militar (1964-1985) trouxe um período de esperança e de abertura para novas ideias e iniciativas que atendessem às demandas da sociedade. Foi com esse impulso de renovação que, ao tomar posse, o presidente José Sarney criou o Ministério da Cultura (MinC). A iniciativa reconheceu a autonomia e a importância da Cultura, até então tratada em conjunto com a Educação. Neste domingo (15/3), o MinC comemora 30 anos de existência.
 
Para o ministro Juca Ferreira, a cultura tem um papel preponderante para o projeto de desenvolvimento do país. Os avanços não virão somente com o aumento de renda da população, mas precisa da dimensão simbólica que apenas a cultura pode fornecer. "A redução das desigualdades econômicas não basta. É preciso avançar com firmeza e determinação também na redistribuição do poder simbólico e político no Brasil com a democratização da produção e do acesso ao conhecimento e à cultura", disse ele, no discurso de posse, em 12 de janeiro de 2015.
 
A cultura, assinala o ministro, é um dos pilares da própria democracia.  "É ela quem qualifica e dá sentido à experiência humana, ao estabelecer os laços da vida social. Somente a cultura pode agregar valor ao desenvolvimento e abrir caminho para a inovação no seio da sociedade. Entendida deste modo, a cultura se coloca na centralidade da agenda pública contemporânea, permeando todos os campos da vida social, todas as áreas do conhecimento, como algo inerente ao próprio ser humano", afirmou durante sua posse.
Ministro entre 2003 e 2008, o cantor Gilberto Gil diz que o ministério surgiu há 30 anos justamente no período inicial de intensas mudanças tecnológicas e econômicas, com um impacto forte na vida cultural. "Se você considerar nestes últimos 50, 60 anos, o impacto do cinema, da televisão, dessas novas linguagens que entraram no meio circulante da vida cultural brasileira, é uma transformação imensa", afirma Gil, que deu um passo fundamental na consolidação de políticas públicas como a dos Pontos de Cultura em 2004.
 
As mudanças ocorridas ao longo do tempo trouxeram posteriormente desafios para o próprio ministério e a sociedade em geral. Como exemplo de transformações, Gilberto Gil cita a era digital e a diversidade cultural. "Uma questão são as especializações que foram surgindo na questão da vida cultural, sobretudo na gestão da vida cultural", disse. "Você tem, hoje, o conceito da diversidade cultural, que é uma coisa que você não precisava pensar 50 anos atrás, ou o que se pensava era muito incipiente. Há essa questão da diversidade cultural, dos vários grupos humanos, nas suas várias influências".
 
Na década de 1980, as reviravoltas sociais, históricas e culturais criaram um momento em que foi necessário construir uma estrutura à altura da importância da cultura. O secretário de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo, lembra que havia uma expectativa "muito positiva" em torno do surgimento da nova pasta exclusiva para a área cultural. Ele trabalhou na implantação da pasta e chegou a acumular, em 1986, os cargos de ministro interino, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e chefe de gabinete do ministério.
 
"O Ministério da Cultura nasceu de amplas reivindicações das manifestações nascidas na época da democratização", explica Oswaldo. "Com o movimento das ‘Diretas Já', surgiu a ideia do ministério como instância de fomento e de estímulo às atividades culturais que haviam sofrido gravíssimas restrições e uma odiosa repressão ao longo do regime de exceção."

Celso Furtado

Segundo Angelo Oswaldo, um primeiro e grande passo para a consolidação do projeto de um ministério ocorreu em 1983, ainda no governo de João Figueiredo (1979-1985). "O secretário de Cultura de Minas Gerais, José Aparecido de Oliveira, e o do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, haviam criado o fórum nacional de secretários da cultura, que passou a ser um grande instrumento de mobilização e de reivindicação da pasta federal da cultura", explica.
 
Os primeiros titulares do MinC foram José Aparecido de Oliveira e Aluísio Pimenta. Em 1986, o presidente José Sarney convidou o economista Celso Furtado, um dos intelectuais mais importantes do país, para comandar o ministério. O autor do clássico "Formação Econômica do Brasil" avaliou que as transformações sofridas pelo capitalismo naquele período deveriam levar em conta necessariamente a dimensão cultural. Uma de suas tarefas foi a busca de uma solução para financiar a produção cultural –  um tema que teve avanços com as leis de incentivo fiscal.
 
"Celso Furtado foi quem realmente estruturou a pasta. Foi ele quem definiu a plataforma do ministério e trouxe para sua pauta temas como a cultura no cotidiano, a dimensão social e econômica do fazer cultural, além da relevância do setor para o desenvolvimento do país", comenta Oswaldo. "Foi um notável ministro da Cultura porque organizou e definiu linhas e diretrizes ainda agora fundamentais para a gestão cultural."

Tempos difíceis

Um momento complicado foi vivido em 1990, quando o Ministério da Cultura foi transformado em Secretaria da Cultura, diretamente vinculada à Presidência da República. Essa situação só foi revertida dois anos depois, em novembro de 1992. Na gestão do presidente Fernando Collor, houve mudanças polêmicas como o fim da Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme) no dia 16 de março de 1990.
 
Em compensação, o governo criou naquela época a chamada Lei Rouanet, numa referência ao nome do então secretário Sergio Paulo Rouanet. O financiamento à produção cultural ganhou regras que garantiram um modelo de renúncia fiscal para as empresas que patrocinam eventos e bens culturais. Trata-se de um modelo controverso, tanto que, em 2010, o então ministro Juca Ferreira propôs uma reforma da legislação com o projeto do Procultura – ainda em tramitação no Congresso Nacional.  
 
Apesar de críticas, as leis de incentivo se consolidaram ao longo da década de 1990 e estimularam áreas como a produção cinematográfica. Em 1993, por exemplo, foi criada a Lei do Audiovisual, que impulsionou a "retomada" do cinema brasileiro. Foi a saída para substituir, por meio do mercado, os antigos instrumentos da Embrafilme. As mudanças nos incentivos do setor audiovisual continuam até hoje, como a criação da Agência Nacional do Cinema (Ancine) em 2001 e a Lei da TV Paga de 2011, que estimulou a produção nacional independente.  

Políticas públicas

Os oitos anos de Luiz Inácio Lula da Silva trouxeram uma nova abordagem para a formulação de políticas públicas na área cultural, aliando a inovação e o diálogo permanente com a sociedade. Houve investimento para estimular as experiências já existentes em vários locais do país, como os Pontos de Cultura, e o reconhecimento de que as mudanças tecnológicas, trazidas principalmente pela internet, exigem uma nova abordagem. Foi nesse período que o Brasil passou por uma transformação histórica sem igual: a saída de 40 milhões pessoas da situação de pobreza.
 
A partir de 2003, o Ministério da Cultura passou a criar políticas e editais para fortalecer diversos grupos nas periferias de grandes metrópoles, na zona rural, em favelas, em movimentos sociais e quilombolas e até em aldeias indígenas. Houve o reconhecimento de que a produção cultural tinha novos protagonistas, além de quem já trabalhava com artes tradicionais. Para isso, o orçamento do MinC aumentou seguidamente, chegando a subir 600% nos oitos anos do governo Lula.
 
O primeiro governo de Dilma Rousseff consolidou políticas públicas e projetos de seu antecessor. O Congresso Nacional aprovou o Vale-Cultura, que é o benefício de até R$ 50 por mês para o trabalhador consumir em bens e serviços culturais. Também foi criado o Sistema Nacional de Cultura (SNC) para levar recursos federais aos estados e municípios. Os novos desafios institucionais, a partir deste anos, são a aprovação de uma nova Lei dos Direitos Autorais, a reforma da Lei Rouanet por meio do Procultura e a construção de uma Política Nacional das Artes.
 
Ao assumir o ministério pela segunda vez, o ministro Juca Ferreira se comprometeu a trabalhar por mais avanços. Trabalhar com amplo diálogo e participação social, aprimorar o sistema de financiamento da cultura, modernizar a legislação de direitos autorais, buscar a aprovação da PEC da Cultura, reforçar parcerias culturais com outros países e ampliar o acesso aos bens culturais via ambiente digital.

Fonte: 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ivana Bentes convoca coletivos para serem cogestores de políticas culturais


Ivana Bentes convoca coletivos para serem cogestores de políticas culturais
A secretária do MinC, em hangout com internautas, defendeu a rearticulação e a ampliação dos Pontos de Cultura, e ressaltou importância de trabalhar lado a lado com os articuladores culturais; segundo ela, fortalecer a mídia livre é outro objetivo da gestão.

Após pouco mais de um mês no cargo, a secretária de Cidadania e Diversidade Cultura do Ministério da Cultura, Ivana Bentes, já está se mobilizando para rearticular e ampliar a rede dos Pontos de Cultura – a maior política em âmbito cultural já implementada no país. Em hangout com internautas, realizado nesta terça-feira (24), a secretária admitiu uma certa inércia das gestões anteriores do MinC em relação ao diálogo com os articuladores culturais, mas garantiu que eles serão fortalecidos e que novos serão contemplados pelos editais.
De antemão, a secretária já anunciou alguns editais que o Ministério da Cultura vai lançar em 2015: são os dos Pontos de Cultura Indígena, Pontos de Mídia Livre, Cultura de Redes, Acessibilidade Cultural, Cultura LGBT, além da retomada do edital de Interação Estética.
De acordo com Ivana, a ampliação da rede de Pontos de Cultura no país será possível graças à implementação da Lei de Cultura Viva, que vai desburocratizar todo o processo cadastral e de prestação de contas dos grupos e coletivos.
“Com a Lei de Cultura Viva a gente vai começar um processo muito importante que é um cadastramento e um mapeamento dos pontos de cultura. Não só os que já ganharam recursos, mas vamos começar a caravana para uma campanha de auto declaração dos pontos de cultura. Isso é uma demanda histórica daqueles que nunca ganharam um edital do Ministério”, explicou.
Ela ressaltou ainda que quer que os Pontos de Cultura atuem como cogestores na criação e implementação de políticas para a área.“A gente quer que os Pontos de Cultura voltem a ser os formuladores da política pública, com proposta de ações, de mapeamento das novas redes.”
Para isso, a professora da UFRJ pretende fazer uma grande caravana pelo Brasil para contemplar todos aqueles fazedores de cultura – desde aldeias indígenas, quilombolas, até coletivos de cultura de rede – que não são reconhecidos hoje como Pontos.  Além disso, a Lei de Cultura Viva, segundo ela, permitirá que os coletivos culturais se autodeclarem Pontos de Cultura. “Essa vai ser uma secretaria itinerante e nômade”, afirmou.
Mídia Livre e articulação em rede
Durante o papo com os internautas, Ivana destacou a importância de fortalecer políticas públicas voltadas para a mídia livre e os veículos de mídia independente como forma também de fomentar as narrativas no próprio âmbito da cultura.
“As ações de mídia livre são estratégicas para a Cultura. Quem produz cultura, também produz comunicação. O desafio é que mais pessoas, em especial a juventude, se aproprie das tecnologias. Também estamos pensando muito nas políticas de licenciamento. Com certeza, Mídia Livre e Cultura Digital terão espaço de destaque em nossa gestão”, pontuou.
Indo além, a secretária do MinC falou sobre a necessidade de se pensar em políticas para a articulação em rede entre os coletivos, o que, segundo ela, é fundamental para a efetividade da produção cultural no momento em que vivemos.
“A gente quer que o conhecimento e a cultura circulem (…) Juntos é sempre mais barato e rápido. Os grupos que se articulam em rede efetivamente conseguem um tipo de articulação política e de fazer cultural que produz diferença hoje. A gente tá num momento tecnológico que facilita a articulação em rede”, explicou.
Confira a íntegra do hangout com Ivana Bentes.

Fonte:


fevereiro 24, 2015 17:09

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

MinC anuncia integrantes da CNIC para biênio 2015/2016

O Ministério da Cultura (MinC) anunciou nesta quarta-feira (21/1), em portaria publicada no Diário Oficial da União, a nova composição da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) para o biênio 2015/2016. O colegiado é formado por 21 integrantes, sendo sete titulares e 14 suplentes, das seguintes áreas: artes cênicas (circo, dança, teatro, ópera); audiovisual; música; artes visuais (digital, design, moda, fotografia); patrimônio cultural (material e imaterial); humanidades (livros, periódicos, publicações) e empresariado nacional (multiprodutos).


Composto por representantes da classe artística, empresarial, sociedade civil e do Estado, a CNIC tem a função, entre outras, de analisar e oferecer pareceres para subsidiar decisões relativas à aprovação dos projetos culturais que se candidatam à captação de recursos de renúncia fiscal por meio da Lei Rouanet.
 
A escolha dos integrantes da CNIC é feita pelo ministro da Cultura, com base em uma lista de 42 nomes indicados por 28 entidades habilitadas. A seleção deve levar em conta, além das áreas temáticas, a representação das cinco regiões do Brasil. 
 
A Comissão reúne-se mensalmente para avaliar os projetos. Seis reuniões são em Brasília, e outras cinco, itinerantes, em cada uma das regiões do País. O trabalho dos integrantes da comissão é voluntário, ou seja, não é remunerado. Os integrantes da CNIC recebem ajuda de custo para participar das reuniões.
 
Em 2013 e 2014, a CNIC aprovou 10.010 projetos, que foram autorizados a captar R$ 8.367.280.102,19, dos quais R$ 1.769.675.957,63 foram efetivamente captados. 
 
A posse dos novos integrantes da Comissão será na semana de 2 a 6 de fevereiro.

Conheça os integrantes da CNIC para o biênio 2015/2016

Artes Cênicas
Titular: Sheila Machado de Aragão (Associação dos Produtores de Teatro Independente)
1º Suplente: Getúlio Henrique Rocha Lima (Instituto Escola do Teatro Bolshoi no Brasil)
2º Suplente: Robson Silva Santos (Associação Brasileira de Circo e Cooperativa Brasileira de Circo)
 
Artes Visuais
Titular: Carlos Francisco Amorim de Carvalho (Rede de Produtores Culturais de Fotografia do Brasil)
1º Suplente: Roberto de Souza Leão Veiga (Associação Nacional das Entidades Culturais)
2º Suplente: Heleninha Botelho de Campos Coelho (Sindicato Nacional dos Artistas Plásticos)
 
Audiovisual
Titular: Indaiá Freire da Silva (Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV)
1º Suplente: André Muniz Leão (Associação Brasileira de Documentaristas)
2º Suplente: Sandro Manfredini (Associação Brasileira de Desenvolvedoras de Jogos Digitais)
 
Empresariado Nacional
Titular: Anna Paula Montini (Confederação Nacional das Instituições Financeiras)
1º Suplente: Gilberto Rodrigues Figueiredo (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo)
2º Suplente: José Paulo Soares Martins (Confederação Nacional da Indústria)
 
Humanidades 
Titular: Eduardo Reis Silva (Câmara Brasileira do Livro)
1º Suplente: Marcelo Luciano Martins di Renzo (Associação Brasileira de Editoras Universitárias)
2º Suplente: Maria do Socorro Sampaio Flores (Associação Nacional das Livrarias)
 
Música 
Titular: Amilson Teixeira de Godoy (Conselho Brasileiro de Entidades Culturais)
1º Suplente: Arthur Barbosa Neto (Brasil Música e Artes)
2º Suplente: Janete de Fátima Andrade (Instituto Pensarte)
 
Patrimônio
Titular: José Armênio de Brito Cruz (Instituto dos Arquitetos do Brasil)
1º Suplente: José Leme Galvão Júnior (Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios)
2º Suplente: Rosangela Marques de Britto (Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus)

Calendário da CNIC para 2015

  • 2 a 6 de fevereiro (posse e treinamento) – Brasília (DF)
  • 10 a 12 de março – Catalão (GO)
  • 14 a 16 de abril – Brasília (DF)
  • 12 a 14 de maio – Criciúma (SC)
  • 9 a 11 de junho – Brasília (DF)
  • 7 a 9 de julho – Cidade do Norte a ser definida
  • 4 a 6 de agosto – Brasília (DF)
  • 1 a 3 de setembro – Cidade do Sudeste a ser definida
  • 6 a 8 de outubro – Brasília (DF)
  • 10 a 12 de novembro – Cidade do Nordeste a ser definida
  • 8 a 10 de dezembro – Brasília (DF)

Fonte: 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Discurso de posse de Juca Ferreira


Brasília, 12 de janeiro de 2015
 
Bom dia a todos e a todas!
 
Quero agradecer este carinho, esta manifestação de expectativa positiva no meu trabalho como ministro. É evidente que isso é um reconhecimento do que já foi feito como ministro no governo Lula, tenho muito carinho por isso, por esse apoio. Então queria, em primeiro lugar, agradecer a presença de vocês, agradecer a presença de representantes do corpo diplomático, dizer que tenho a intenção de fortalecer as relações culturais do Brasil, como parte da nossa diplomacia, com os nossos irmãos da América Latina, da América do Sul, com países africanos, árabes, com a Europa, os Estados Unidos. Um país que tem a importância que o Brasil tem no mundo não pode descuidar das relações culturais com os outros países.
 
Então, queria saudar e reconhecer na presença de vocês aqui o início de um trabalho conjunto para que a gente de fato ultrapasse os limites atuais e constitua uma diplomacia cultural que não é só apresentar a cultura brasileira no exterior, mas é também receber com muito carinho o que é produzido pelos outros povos.
 
Queria saudar os ministros aqui presentes, o apoio que significa esse conjunto de representação do governo. Queria agradecer, em nome de todos, na figura do ministro Mercadante, que tem manifestado todo apoio para que eu possa fazer o trabalho da melhor maneira possível. Então essa presença dos ministros aqui me é cara, principalmente porque a cultura tem interface com praticamente todas as dimensões da vida humana, e como ele representa outras políticas públicas, outras realizações de direitos. Em parte, o que vou fazer depende da relação institucional com os outros ministérios. Queria então ressaltar isso e dizer que vamos trabalhar juntos e procurar fazer o melhor possível.
 
Eu queria agradecer à minha mulher Celina, a meu filho Vicente, à minha filha Dandara, só não está aqui o pequenininho que fez ontem quatro anos, que um evento desse tipo é muito maçante para ele e ele iria quebrar o protocolo excessivamente.
 
Queria também saudar a secretária-executiva do Ministério da Cultura, Ana Cristina, que acaba de se manifestar; Carlos Gabas, que já é meu amigo e está me convidando para dar um passeio de moto; Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Arthur Chioro, ministro da Saúde, com quem temos também possibilidades de trabalho. Quando era ministro, fortalecemos muito a relação do Ministério da Saúde com o atendimento a pessoas portadoras de distúrbio mental. Foi muito importante a experiência da cultura e da arte como um instrumento de recomposição e reestruturação da subjetividade de algumas pessoas.
 
O ministro do Turismo, Vinícius Lages, com quem já combinamos de ter parcerias; Miguel Rosseto, com quem construímos uma amizade durante a campanha e por quem tenho muito respeito e admiração; Nilma Gomes, ministra das Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, não sei se ela notou como foi bem aplaudida pela área cultural. A relação é intrínseca porque a contribuição dos africanos que vieram escravizados para o Brasil foi e é fundamental para a singularidade cultural brasileira. É preciso, numa parceria entre nós, recompor e possibilitar construir de fato um país de iguais dentro das suas singularidades.
 
Eleonora, ministra da Secretaria da Política para as Mulheres, uma dimensão importante no nosso tempo e temos garantia de trabalho juntos; o embaixador Samuel Pinheiro, com quem também desenvolvemos uma amizade grande na reflexão sobre as questões estratégicas do brasil e eu defendo que a cultura é uma dimensão estratégica do Brasil. Garantir o desenvolvimento cultural para todo o povo brasileiro é fundamental.
 
Queria saudar também a deputada Jandira Feghali, que é um bastião da cultura dentro do parlamento. Queria saudar os secretários estaduais e municipais na figura do secretário Jorge Portugal, da Secretaria de Cultura da Bahia, poeta, autor de uma das letras mais bonitas da nova canção baiana, que é Alegria da Cidade; o secretario Guilherme Varela, que trabalha comigo e que vai ser um apoio importante. Queria em nome dele saudar toda a equipe que está possibilitando que a transição seja a melhor possível e que eu tenha a possibilidade de já hoje mesmo começar a trabalhar; os presidentes das vinculadas da secretaria.
 
Queria saudar também todos os funcionários e trabalhadores do Ministério da Cultura, não há possibilidade de sucesso de políticas publicas de cultura se nós não tivermos de fato uma valorização dos que trabalham no Ministério; todos os secretários do Ministério, a imprensa presente, demais autoridades, o senador Donizeti Nogueira, também queria saudá-lo.
 
Não precisaria dizer porque é visível, mas é com enorme alegria e profundo senso de responsabilidade que chego para este reencontro. Em 2003, o presidente Lula convidou Gil para um reencontro do Brasil consigo mesmo. A reeleição da presidenta Dilma Rousseff é a confirmação de que este desejo permanece vivo, pulsando no coração dos brasileiros. De um país que hoje é muito mais orgulhoso de si, decidido a promover mais mudanças e a avançar criativamente na agenda de suas reformas estruturais. Mais uma vez, o povo brasileiro soube soberanamente fazer suas escolhas.
 
Aceitei, honrado e orgulhoso, o convite que me foi feito pela presidenta da República. Como Dilma, fiz oposição à ditadura e a ela sobrevivi. Como Dilma, também me comove pensar que uma geração de sobreviventes venceu e permanece na luta pela construção desta democracia popular, mestiça e tropical, que tantas paixões alimenta em seus filhos. Como Dilma, tenho profundo amor pelo Brasil, fé em nosso povo e esperança em nosso futuro comum. O Brasil foi o grande sonho de nossa geração e continua nos inspirando a não fugir da luta.
 
Nosso projeto coletivo de nação já superou barreiras históricas.  Estamos vencendo a fome, reduzimos drasticamente a extrema pobreza e reconquistamos o direito de sonhar.
Promovemos uma das maiores mobilidades sociais que se tem notícia na história. Nos tornamos referência mundial na redução das desigualdades.
 
Mas a redução das desigualdades econômicas não basta! É preciso avançar com firmeza e determinação também na redistribuição do poder simbólico e político no Brasil com a democratização da produção e do acesso ao conhecimento e à cultura. No momento em que o mundo assiste a uma situação dramática de radicalização de extremismos, é preciso enfrentar também aqui discursos de ódio, o preconceito social e regional, o racismo, o machismo, a homofobia, a xenofobia e todas as demais formas de segregação cultural. Na verdade, banalizamos a violência. São muitos os fantasmas culturais que ainda assombram as nações democráticas. Todos eles estão a nos exigir uma revolução cultural, mudança de comportamento, sensibilidade e visão de mundo.
 
Também queremos uma democracia vigorosa, ampla e profunda no Brasil. Que contemple a igualdade de oportunidades para todos e que seja pautada no mais amplo respeito às diferenças e singularidades. Presentes não apenas na vida material, mas também na experiência sensível.
 
A cultura se afirma como um dos elementos constitutivos da própria democracia.  É ela quem qualifica e dá sentido à experiência humana, ao estabelecer os laços da vida social. Somente a cultura pode agregar valor ao desenvolvimento e abrir caminho para a inovação no seio da sociedade. Entendida deste modo, a cultura se coloca na centralidade da agenda pública contemporânea, permeando todos os campos da vida social, todas as áreas do conhecimento, como algo inerente ao próprio ser humano.
 
Com entusiasmo, recebemos a sinalização da presidenta da República de que a educação é a grande prioridade deste seu novo mandato.
 
Não existe educação democrática e libertadora sem o que a cultura pode oferecer. A produção e fruição cultural se qualificam a partir de práticas educacionais abrangentes e inovadoras.
 
O Brasil já é uma das maiores economias do mundo, nossa magnitude populacional e a gigantesca diversidade da nossa produção cultural e artística são verdadeiros tesouros nacionais. Uma grande nação precisa ter um desenvolvimento cultural à altura de sua grandeza. É a cultura que dá liga à cidadania. É ela que nos torna brasileiros, de norte a sul deste país. A cultura deve ser parte central do país democrático e plural que queremos. A pluralidade é nossa singularidade.
 
É muito bom estar de volta. É muito bom! E é melhor ainda fazê-lo olhando pra frente.
O entendimento da cultura como elemento central do desenvolvimento me aproximou do prefeito de São Paulo: Fernando Haddad, não por acaso, ex-ministro da Educação do Brasil.
É este entendimento da cultura como elemento central da própria experiência democrática que me traz novamente ao posto de ministro da Cultura do Brasil. A experiência da política é, nas sociedades democráticas, uma disputa de sentido, uma disputa simbólica e de valores. É precisamente através dela que se atribui dimensão ética e estética à vida pública, que se forma uma cultura política. E é por via da cultura política que o exercício da vida pública se qualifica de modo republicano e democrático.
 
Reassumo revigorado. Convencido de que foi o fôlego e a resistência de um projeto coletivo que me trouxeram de volta para levar adiante a política cultural que iniciamos em 2003.
As escolhas que o século XXI exige de nós não são as mais fáceis. Nas últimas décadas, devotei minha vida à cultura e ao meio ambiente, tema que me é muito caro. Por isso afirmo, de antemão, que a superação de um modelo de civilização que estabelece relação predatória e insustentável com o planeta exige engajamento de todos nós.
 
Neste momento da história da humanidade, precisamos, sobretudo no Brasil, de uma mudança de mentalidades e comportamento que a cultura pode promover.
 
Há doze anos iniciamos uma jornada que colocou a cultura no centro do projeto de nação. Que passou a reconhecer a nossa diversidade cultural como elemento estratégico da construção do Brasil no século XXI.
 
As políticas culturais que nasceram com o presidente Lula passaram a ser reconhecidas nacional e internacionalmente pelo seu aspecto inclusivo, libertário e inovador.
Reafirmamos nossos compromissos com as três dimensões das políticas culturais: cultura como dimensão simbólica, cultura como direito de todos e a cultura como uma economia importante.
 
Conto com a ajuda dos criadores, de todos os artistas, ativistas e fazedores de cultura para ampliarmos a capacidade de realização do Ministério. Será um grande passo conquistar a aprovação da PEC da Cultura. Além do apoio de nossa presidenta, tenho certeza que a nova equipe econômica, ainda que desafiada a promover um ajuste fiscal em nosso país, será sensível a essa necessidade. Sem orçamento público e gestão qualificada não conseguiremos realizar nossos anseios. Recursos do pré-sal poderão ser, num futuro breve, definidores de um novo momento para as políticas culturais de nosso país. Como disse o rapper Gog: o pré-sal é o nosso pré-sol.
 
Nos últimos dois anos, o Vale Cultura começou a se tornar realidade! Estamos comprometidos com a aceleração de seu processo de implantação, tornando-o um importante instrumento de ampliação do acesso à cultura e de dinamização do mercado cultural interno.
 
O audiovisual brasileiro já tem hoje uma das políticas setoriais mais robustas do mundo. O grande desafio deste novo período que se abre é justamente vencer o gargalo da exibição e da circulação dos conteúdos, garantindo o melhor aproveitamento público do ambiente digital, oferecendo toda a liberdade criativa para as novas mídias, linguagens e estéticas que emergiram nos últimos anos, e que surgirão nos próximos, redefinindo a própria cultura. Neste contexto, a comunicação deve ser entendida como um direito essencial para a realização plena dos direitos culturais.
 
Acredito na complementariedade de papéis e na colaboração institucional entre a Secretaria do Audiovisual e a Agência Nacional do Cinema. O audiovisual que o Brasil financia precisa estar acessível a todos os cidadãos.
 
Reafirmamos o compromisso com o Plano Nacional de Cultura, instrumento central de planejamento de médio e longo prazo das políticas culturais.
 
Reassumindo como ministro da Cultura do Brasil, reafirmo nosso compromisso com dezenas de milhares de artistas, produtores e grupos culturais, que mesmo nos ambientes mais vulneráveis, em meio à pobreza e à violência, têm proporcionado a estas populações, muitas vezes, a única oportunidade de deleite estético e de acesso à cultura.
 
Volto ao MinC com a Lei Cultura Viva vitoriosamente aprovada por força de mobilização da sociedade. Esta lei abre o horizonte para uma maior segurança jurídica no relacionamento entre organizações da sociedade e o Estado, e nos possibilita criar fluxos muitos mais horizontais e transparentes de gestão da política pública em rede.
 
Retomaremos a agenda de modernização da legislação de direito autoral. O ambiente digital se desenvolve e se transforma rapidamente, e nossas leis devem acompanhar as novas práticas sociais que surgiram com as novas tecnologias para termos condições de garantir, de fato, os direitos dos autores no Brasil.
 
Implementaremos a Lei que prevê a supervisão do Estado sobre as atividades de gestão coletiva de direitos autorais. Essa lei foi uma conquista da mobilização de autores e artistas, que entenderam que o Estado pode e deve auxiliar os criadores na garantia de seus direitos.
 
Assim caiu um primeiro mito. O próximo mito a cair será aquele que duvida que a ampliação do acesso aos bens culturais, proporcionada pelo ambiente digital, só poderia se dar causando prejuízos para os criadores.
 
O ambiente digital pode sim ser regulado de forma que os criadores tenham novas formas de remuneração pelo seu trabalho criativo. A modernização da legislação pode beneficiar tanto aos criadores quanto atender às demandas dos cidadãos de acessar e compartilhar cultura e conhecimento, respondendo à tarefa imposta pelo Marco Civil da Internet.
 
Precisamos aprimorar o sistema de financiamento da cultura. Faremos um esforço conjunto com o Congresso Nacional nos próximos meses para aprovação do ProCultura. A cultura brasileira não pode ficar dependente dos departamentos de marketing das grandes corporações. Queremos mais investimento na cultura e esta também deve ser uma das responsabilidades sociais da iniciativa privada. Não tenham dúvidas disso. Mas queremos que essa conta seja paga com responsabilidades partilhadas.
 
Trago da experiência anterior a convicção de que o Brasil precisa de uma vigorosa para as artes, em escala nacional e com efetiva capacidade de penetração em todos os territórios e rincões do país. É por via deste caminho que afirmaremos definitivamente o Brasil como uma potência estética global, surgida do encontro entre todas as humanidades, da orgulhosa mestiçagem das culturas que aqui coexistem e que mutuamente se transformam neste nosso país do remix.
 
Nada, nada deve ficar de fora de nossa atenção: da literatura às artes visuais, às expressões identitárias, aos conhecimentos, à memória; dos valores à economia da cultura; bem como a moda, a arquitetura, a cultura digital, a cultura alimentar, o design.
O momento é de construir um pacto que una amplos setores da cultura brasileira, de todas as regiões, articulados em torno de um projeto de desenvolvimento e democratização de todas as artes, tanto no nível da produção, quanto da fruição.
 
Estou a par de muitas das dificuldades enfrentadas pelos servidores, das demandas por melhoria nas condições de trabalho e remuneração. Precisaremos de um esforço de planejamento capaz de dotar o Ministério da Cultura das condições de realização de sua missão institucional, qualificando e modernizando a gestão. Eu acredito em um Estado eficiente e eficaz. Essa será uma luta que teremos que enfrentar juntos.
 
Sempre fui um defensor do diálogo como tecnologia de construção democrática. Da primeira vez que fui ministro, antes da posse, disse que minha marca seria "diálogo, diálogo, diálogo", e foi. Em São Paulo, assim que cheguei para assumir a Secretaria de Cultura do prefeito Fernando Haddad, lançamos um programa chamado #ExisteDialogoemSP. Diálogo, portanto, é um pressuposto de nossa gestão. E o realizaremos por meio de um amplo programa de participação social. Essa abertura será exercida não apenas por meio de uma reativação vigorosa do Conselho Nacional de Políticas Culturais, do fomento à realização das Conferências de Cultura, pela presença constante no diálogo com o parlamento, mas também lançando mão dos muitos mecanismos contemporâneos de construção e deliberação on-line, com a ativação de um Gabinete Digital cujo intuito será o de dar transparência absoluta a nossos atos e de ser uma interface de cogestão, aberta e colaborativa, com os cidadãos.
Isso também nos coloca na dianteira de uma interlocução que queremos estreitar na nova gestão: o nosso diálogo com as redes políticos-culturais e os movimentos de novo tipo que emergiram no país durante os últimos 12 anos. Esses movimentos representam um novo impulso democrático inspirado naquele esforço de participação que realizamos durante nossa gestão anterior. Quero agora poder contar com o apoio e a parceria desse universo renovador na construção de soluções e alternativas para a efetivação de nosso projeto republicano de cultura. Principalmente frente aos desafios próprios das cidades de médio e grande porte do nosso país, onde se concentra a maioria de nossa população, e onde se realizam as principais disputas de modos de vida do Brasil contemporâneo.
 
Reafirmo o lugar do Ministério na interlocução atenta com os demais movimentos sociais, com os camponeses, estudantes, com os que lutam por moradia, saúde, educação, direitos humanos, juventude e na interlocução com os povos indígenas. O Brasil democrático precisa garantir o lugar da nossa população indígena, suas culturas e modo de vida.
 
Também espero construir uma relação virtuosa com os artistas e os criadores culturais. Nada mais equivocado do que acreditar que a ampliação do conceito de cultura reduz o lugar da arte no projeto estratégico que vamos empreender. E isso que vou dizer é o manifesto como entendo isso. A arte é aquilo que nos permite ver além, é o meio pelo qual acessamos a essência e a transcendência do humano.
 
Estou caminhando para o fim dessa fala inaugural, sabendo que ela é só o começo de uma longa jornada.
 
Criar, fazer e definir obras, temas e estilos é papel dos artistas e de quem produz cultura. Escolher o que ver, ouvir e sentir é papel do cidadão. Agora, criar condições de acesso, produção, difusão, preservação e livre circulação, regular as economias da cultura para evitar monopólios, exclusões e ações predatórias, democratizar o acesso aos bens e serviços culturais: essa é a responsabilidade do Estado democrático.
 
Volto pedindo licença para andarilhar entre nosso povo, unindo estes esplendorosos Brasis. O Brasil das aldeias indígenas e das lan houses, das orquestras sinfônicas e das folias de reis, dos artesãos e dos hackers, dos mestres da tradição e dos intelectuais; dos cientistas e das tribos urbanas, dos pescadores e dos industriais. O Brasil dos grandes artistas e das pequenas trupes de circo. O Brasil de Jesus e de Oxalá, de Tupã e de Iara, de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, de Yemanjá e d'Oxum, do acarajé e do tucupi, da juventude negra e do baile funk, de Serra Pelada e do Cariri. O Brasil do Xingu e de Vila Mimosa, de Brasília Teimosa e de Xapuri, do Céu do Mapiá, de Aparecida do Norte e do Ilê Axé Opó Afonjá, do futebol de várzea e do carnaval de rua.
 
O MinC volta a ser o espaço da experimentação de novos rumos! O MinC está de volta para o futuro. O lugar da memória e da inovação, das raízes tradicionais e da nova ousadia criativa, da imaginação e da invenção, reconvocadas a colaborar com o Brasil. Viva o povo e a cultura brasileira!

Fonte: Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

domingo, 16 de novembro de 2014

Artistas criticam concorrência ‘desleal’ na disputa por recursos públicos como Lei Rouanet

Desconhecidos ou de arte popular, artistas “pequenos” disputam com grandes nomes da cultura o investimento de empresas. Eles reclamam da falta de um mecanismo legal que impeça uma concorrência desleal.

Apesar de ser a terceira vez do grupo em Manaus, é a primeira no Teatro AM

Lei Rouanet instituiu incentivos fiscais para empresas que investirem em projetos artísticos (Divulgação)

A batalha diária dos artistas para conseguir espaço não é algo novo no Brasil, tampouco a sua reconhecida qualidade. Mesmo com a ajuda do governo, no entanto, muitos ainda patinam no meio da burocracia para conseguir viver da arte.
A Lei 8.313, conhecida como Lei Rouanet, que instituiu incentivos fiscais para empresas que investirem em projetos artísticos, funciona melhor com nomes consagrados.
Conforme a lei, a empresa que patrocinar o projeto – aprovado previamente pelo Ministério da Cultura (MinC) – de um artista pode deduzir o valor investido do Imposto de Renda, até o limite de 4%.
Muitos artistas procuram financiamento com base na lei e conseguem a aprovação de seus projetos. A etapa mais difícil, no entanto, está na captação dos recursos.
Artistas desconhecidos e grupos de arte popular disputam com nomes já consagrados o investimento das empresas e reclamam da falta de um mecanismo legal que impeça uma concorrência considerada por eles desleal.
A crítica dos artistas não é nova. Houve um debate sobre o tema no setor há cerca de cinco anos, mas nada mudou.
O músico brasiliense Alex Lima passou o ano de 2014 planejando a gravação de um CD e de um videoclipe. Pagou R$ 2 mil pelos serviços de uma empresa especializada apenas na preparação de projetos e conseguiu a aprovação pela Lei Rouanet.
“Foi nesse ponto que eu esbarrei em outra brecha negativa do sistema. As empresas que desenvolvem, aprovam e depois captam os recursos são mais caras ainda. As mais baratas apenas dão entrada e devolvem o projeto aprovado, e o artista se vira com a captação”, explicou.
Todos os projetos, no entanto, têm um prazo para que se capte o recurso. O prazo de Lima está próximo de se esgotar, faltando menos de dois meses.
Coordenador de um grupo de percussão em Minas Gerais, o músico Daniel Melão procurou na Lei Rouanet uma forma de financiar seu projeto, no qual ensina maracatu gratuitamente em Belo Horizonte. Mesmo pedindo uma verba considerada pequena, cerca de R$ 70 mil, não conseguiu o dinheiro.
“Cheguei à conclusão de que, para esse tipo de projeto, pela Lei Rouanet, eu estava tentando no lugar errado. Não é de interesse dessas grandes empresas, potenciais patrocinadoras, vincular o nome a uma proposta que não é um megaprojeto”, considerou Melão.
Envolvido em projetos pessoais e de instituições culturais, ele decidiu não tentar viabilizar mais projetos por meio da Lei Rouanet. “No formato atual, é impossível o artista fazer essa correria burocrática para conseguir verba e ser artista ao mesmo tempo”, disse.
Melão pondera: “Eu estudo todos os dias, dou aulas todos os dias, e se eu tiver que parar para correr atrás de burocracia e bater à porta de empresas, a última coisa que vou ser é um artista. Vou estagnar a minha arte e virar um gestor de projeto cultural”.
Ricardo Trento é presidente da organização não governamental paranaense Unicultura, que auxilia artistas na captação de recursos. Para ele, o que precisa mudar não é a lei, mas sim a forma de os artistas venderem seus projetos às empresas. Trento acredita que o artista precisa encarar seu projeto cultural como uma pequena empresa, para que possa obter os recursos e se preocupar apenas com sua arte.
“Eu não posso chegar lá com cara de que carrego o piano, apesar de carregar o piano. A gente trabalha com artistas desconhecidos e consegue fazer captação de recursos porque apresentamos para o patrocinador um projeto que tenha aderência, que fale a mesma linguagem que a empresa quer ouvir”.
Trento acredita que o artista não pode tratar a empresa como alguém que vá fazer um favor. Conseguir o recurso passa pela apresentação de um projeto que também seja interessante para a empresa. Ele reconhece, no entanto, que muitas empresas ainda não estão preparadas para analisar projetos e decidir em quem investir.
Pode faltar interesse das empresas ou até mesmo projetos que atraiam o interesse do mercado, mas o que não há é falta de projetos autorizados. O problema é concretizá-los.
De acordo com levantamento divulgado anualmente pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura, do MinC, mesmo os artistas que chegam a conseguir algum recurso, captam menos do que o valor autorizado pelo ministério.
Durante o ano de 2013, os projetos que conseguiram captação de verbas tinham autorização para chegar a R$ 4,3 bilhões. Desse valor, porém, apenas R$ 1,2 bilhão chegou a esses artistas.
Procurado pela reportagem, o MinC informou à Agência Brasil que existe um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional para reformar a Lei Rouanet, mas não explicou como as propostas do novo texto podem resolver a queixa dos jovens artistas.

Fonte: MARCELO BRANDÃO (AGÊNCIA BRASIL) - Brasília (DF), 11 de Novembro de 2014

 

 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

REVISTA DO MINC



O Ministério da Cultura disponibiliza em PDF a ultimo número da Revista do MINC, que traz notícias da III Conferência Nacional de Cultura realizada em Novembro de 2013 na cidade de Brasília e que teve delegados do Amazonas no evento. É só acessar.

http://www.cultura.gov.br/documents/10883/0/revistaatualizada/db4b3aad-ebe3-4ac5-8410-ea9db367aa03